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5 de out. de 2010

HISTÓRICO DO ALECRIM DE TANQUE NOVO



A história do Alecrim tem uma relação intrínseca com a história de Tanque Novo. Isso, porque Juvêncio Alves Carneiro, um dos compradores da Fazenda dos Furados, que deu origem a Tanque Novo, preferiu morar nessa comunidade. Contudo, vários dos seus filhos, netos e bisnetos contribuíram bastante, com o desenvolvimento de Tanque Novo.
A professora Raquel Pereira Carneiro manteve várias amizades com os moradores desse lugar. E, como sinal de respeito, admiração, amor e carinho com o povo dessa comunidade, costumava cantar a seguinte canção:




Alecrim

Alecrim, alecrim dourado

Que nasceu no campo
sem ser semeado. (Bis)


Oh! Meu amor,
Quem te disse assim,
Que a flor do campo
é o alecrim.(Bis)

Alecrim, alecrim aos molhos,
Por causa de ti
choram os meus olhos. (Bis)

Alecrim do meu coração,
Que nasceu no campo
Com essa canção. (Bis)





Vejam alguns dos ex-moradores do Alecrim que eram amigos da professora Raquel e, por sinal, quase todos parentes do seu marido Arlindo Alves Carneiro:




1ª foto: Tia Bilinha e tio Zeferino Magalhães
2ª foto: sentados da direita para a esquerda: tia Bilinha, tio Zeferino, Zé Dorico, Belarmina e Zeca Magalhães. Em pé, da esquerda para a direita: Tio Belo, Arlinda (filha do primeiro casamento de Zeferino Magalhães) e tia Maria (ainda solteira) que se casaria posteriormente, com tio João Cardoso.


1ª foto: Tia Francisca e tio Manoel Ferreira
2ª foto: Tia Arlinda e tio Benvindo Lessa



1ª foto: Seu Zeca Magalhães e D. Bela
2ª foto: Seu Venício e D. Dalcy



1ª foto: Tia Maria e tio João Cardoso
2ª foto: Tia Noeme, D. Celsina e Seu Juvêncio, ao lado da imagem de Coração de Maria.




1ª foto: João Cardoso (solteiro)
2ª foto: Tia Maria e tio Prudenciano




1ª foto: Tio Prudenciano e tia Noeme
2ª foto: Anália e Dalva (netas do tio Cazuza).
Obs.: Ambas foram alunas da professora Raquel; porém, só Anália que morou no Alecrim, pois, foi a segunda esposa de Petrônio Magalhães Carneiro.





1ª foto: D. Celsina e Seu Juvêncio
2ª foto: casa onde D. Celsina e Seu Juvêncio moraram, no Alecrim. Desenho feito por Fábio Magalhães.



O texto a seguir é um trabalho cedido gentilmente, por Fernando Carneiro, e faz parte de sua dissertação, no curso de mestrado em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Social, na Universidade Católica de Salvador, Bahia.

Fernando Carneiro é filho de Juraci Magalhães Carneiro e Maria das Dores Magalhães Carneiro (primos); neto de Zeca Magalhães e Belarmina (Bela), Venício Magalhães e Dalcy; bisneto de Cazuza e Afra; bisneto, duas vezes, de Zeferino Magalhães (explicação: Zeca Magalhães é filho do primeiro casamento de Zeferino; e Venício é filho do segundo casamento de Zeferino com Bilinha); trineto, duas vezes, de Prudenciano Alves Carneiro, um dos fundadores de Tanque Novo. Digo duas vezes trineto, porque Cazuza e Bilinha eram irmãos.

É um documentário muito valioso, com pesquisas realizadas em cartórios da região. Além disso, fala sobre a fauna da região e os costumes do lugar. As brincadeiras das crianças, por exemplo, reportam-nos aos anos 60 e aos anos 70.


Alecrim

Alecrim, comunidade composta pelas localidades João Vaqueiro ou Alecrim Velho, Vereda do Alecrim ou Vereda do Duquinha, Alecrim I, Alecrim II ou Alecrim dos Ferreiras e Bandeira, reúne vários elementos que compõem a dinâmica da organização espacial de Tanque Novo, em termos de delimitação formal, delimitação sócio-histórica e interpretação social da vida cotidiana. Desse modo, é possível falar em uma comunidade Alecrim de Tanque Novo, mesmo que localidades como Alecrim I e II, pertençam atualmente ao município de Paramirim, pois estão integradas cotidianamente, às demais localidades que compõem a comunidade Alecrim.

A localidade Alecrim I, referida pelos moradores como aquela que mantém os laços históricos do lugar, fica na região leste de Tanque Novo, a 5 km da sede do município. Alecrim I tem como vizinhas as localidades de Alecrim II (ao norte), Bandeira (sudoeste), Pé do Morro II (leste) e também a comunidade Dourados (sudeste). O limite legal entre os municípios de Tanque Novo e Paramirim, que se baseia no divisor de águas, nesta região, divide a comunidade Alecrim e deixa a maior parte da mesma na área legal do município de Paramirim. No entanto, como veremos, a história da comunidade está diretamente ligada à formação do município de Tanque Novo.

Segundo os moradores, o nome da comunidade se deve à planta conhecida por Alecrim de Cabra, que existia em abundância na região, e a comunidade teria se iniciado com a chegada do senhor Juvêncio Alves Carneiro. Observamos durante a pesquisa que o nome da comunidade está relacionado à fazenda Alecrins, o que não contradiz a relação com a planta Alecrim, porém, como demonstrado a seguir, o senhor Juvêncio não foi o fundador da mesma.

A partir do registro 185, do nascimento do filho do senhor Juvêncio, Antônio Alves Carneiro, verifica-se que no ano 1890 ele morava em outra localidade chamada Lagoa da Pedra com sua primeira esposa:

compareceu Juvêncio Alves Carneiro, lavrador, natural de Cannabrava, para registrar o filho dele e de Dona Arlinda Francisca Gomes, natural de Macaúbas, nascido no dia 15/06/1890, Antônio Alves Carneiro [...] avôs paternos: José Joaquim Carneiro e Clemencia Maria de Jesus [...] avôs maternos: Umbelino José Gomes e Francisca Maria de Jesus, já falecida [...] Casaram-se na casa de José Cardoso Pereira no lugar São José, deste districto e rezide actualmente na Lagoa da Pedra, do termo de Macaúbas (registro n. 185 de 22/06/1890, localizado na p. 70 do livro n.1 de Caldeiras).

Através do historiador Erivaldo Fagundes Neves, comprovamos a existência de Alecrim, ou Alecrins, antes da chegada do senhor Juvêncio, pois ele nos informa sobre duas fazendas, Gameleira e Várzea Redonda, que fazem limite com uma fazenda Alecrins, ou dos Alecrins, e essa teve uma parte declarada no registro de terras da freguesia de Nossa Senhora do Carmo do Morro do Fogo (1857-1859), no registro 143:

Gameleira – Fazenda na extinta freguesia de Morro do Fogo, entre Canabravinha, Botim, Angical, Alecrins e Várzea Redonda, que no registro paroquial de terras, declararam-se proprietários: Pacífico José das Neves; Manoel Domingues Neves; Manoel José das Neves (compra de Paulo Guerreiro de Castro); Ana Maria do Sacramento (herança dos pais Gonçalo Pereira Dourado e Eugênia Maria da Encarnação); padre José Timóteo da Silva (compra de Venâncio Rodrigues da Silva); Demétrio Ferreira da Silva (compra de Antônio Francisco das Neves e Lizarda Maria de Carvalho); e Bento José de Souza Camelo (compra de Paula Quirina de Castro) (NEVES, 2003, p.357).

Várzea Redonda – Fazenda no atual município de Paramirim, limitada por Mocambo, Canabravinha, Lajedo e Alecrins, que no registro de terras da freguesia de Nossa Senhora do Carmo do Morro do Fogo, em 1857-1859 declaram propriedades: Bento Ferreira da Silva (herança dos pais Prudêncio Ferreira da Silva e sogra Carlota Maria de Jesus); Bento Joaquim da Silva (Bacamarte, herança do sogro Manoel Ferreira da Silva); Clemência Maria de Jesus (herança dos pais Manoel Ferreira da Silva Gomes e Joana Maria de Jesus); Demétrio Ferreira da Silva (herança dos avós Manoel Ferreira da Silva Gomes e Joana Maria de Jesus); Gonçalo Pereira da Silva (herança dos pais Manoel Pereira da Silva Gomes e Joana Maria de Jesus e compra de Alexandre Ferreira da Silva e sua mulher Francisca Xavier); Manoel Joaquim Ferreira Silva (herança da sogra Maria Roberta de Jesus) (NEVES, 2003, p.422)

Manoel Francisco da Cunha possui nesta Freguesia de Nossa Senhora do Carmo do Morro do Fogo da Fazenda dos Alecrins huma parte de terra aqual se extrema do nascente com o Tenente Coronel Manoel Joaquim Pereira de Castro e dahi para o norte a extremar com João da Silva Lessa dahi para o poente a extremar com a Fazenda do Morro do Chapeo e dahi pelo cume da serra para o Sul a extremar denovo com o mesmo Tenente Coronel Manoel Joaquim Pereira de Castro onde chega [...]. Canabravinha 10 de junho de 1857. [...] Manoel Francisco da Cunha, Martinho José das Neves (registro 143)

A descrição da fazenda Morro do Chapéu, feita a seguir, mostra-nos que os limites da fazenda dos Alecrins abrangem a atual comunidade Alecrim de Tanque Novo:

Morro do Chapéu – Fazenda nos atuais limites de Paramirim, Caetité e Tanque Novo, da qual se inventariou com os bens de João Moreira de Oliveira em 1852, uma fração comprada de Clemente Marques das Neves e Constância Joaquina da Silva por 50 mil réis, com uma parcela de Morro do Chapéu, uma fração da fazenda Bois, comprada do mesmo casal, 100 mil réis; uma gleba de Noruega, também adquirida do mesmo casal, 20 mil réis; 17 escravos, avaliados por três contos 530 mil réis; nove reses, uma mula e um cavalo, 198 mil réis.

No registro de terras da freguesia de Caetité, medindo duas léguas de comprimento e igual largura, extremando Canabrava, Umbaúba, Vargem do Sal, Canabravinha, fazenda de Baixo, Pindobeiras e Mocambo, declararam propriedades comuns em Morro do Chapéu: Antônio Francisco Duarte (herança), Bento Ferreira da Silva (herança do pai Prudêncio Ferreira da Silva), José Protásio do Bonfim (herança), Manoel Joaquim Ferreira e Silva (herança dos pais Manoel Ferreira da Silva e Joana Maria de Jesus), Manoel Pedro dos Santos (herança dos pais Pedro dos Santos Freitas e Teresa Rodrigues) e outros. No registro da freguesia de Morro do Fogo (1857-1859), estremando com Mocambo, Noruega, Baixa, Cais e Vargem do Sal, declararam títulos: José Gregório Pereira (compra de Efigênia Maria da Conceição); Maria Francisca de Jesus (meação do falecido marido Prudêncio Ferreira da Silva); e Maria Vitória de Jesus (NEVES, 2003, p. 381)

A fazenda Noruega é citada em um registro de nascimento n. 508, de Joaquim, nascido no dia 21/02/1897, filho de Deraldo Marques de Oliveira e Roza Lina de Jesus. Conforme o texto citado na comunidade Pé do Morro II, sabemos que essa pertenceu à família Marques por quase um século.

Juvêncio Alves Carneiro e Arlinda Francisca Gomes, ou Arlinda Gomes de Jesus, segundo o registro de casamento da neta Ermínia, casaram-se em São José, na casa do senhor José Cardoso Pereira. A tradição oral informa que José Joaquim Carneiro, pai de Juvêncio, teria sido abandonado quando criança pelo pai Bento Carneiro e criado por um padrinho da família Cardoso. Como o casamento de Juvêncio aconteceu na casa do senhor José Cardoso Pereira, conforme nos informa o registro, esse deve ter sido provavelmente neto do padrinho que criou José Joaquim Carneiro, como discutiremos no texto sobre a comunidade São José.

José Joaquim Carneiro e Clemência Constância (em alguns registros está Maria em vez de Constância) de Jesus tiveram doze filhos, um deles morreu novo e onze deram continuidade à família. São eles: Prudenciano (1850-1910), Juvêncio (1851-1920), Francisco, Maria, Custódia, Constança, Antônia, Ana Joaquina, Ursulina, Carlota e Exupéria. Desses, os registros e relatos revelam que Juvêncio e Custódia fixaram residência no Alecrim. Sobre os outros escreveremos no texto de Furados. Através do registro de nascimento da filha Constança e de casamento da neta Maria Custódia, filha de Custódia, percebe-se que as mulheres receberam o sobrenome de Jesus, da mãe. Os homens receberam o sobrenome Alves, ao que parece também de origem materna. Os Alves seriam proprietários de terras na região, o que está de acordo com o seguinte trecho, divulgado por Neves:

[...] João Alves da Costa e sua mulher Ana Maria Ribeiro de Novais venderam em 1861, para Cláudio Antônio de Oliveira e seus filhos José Antônio de Oliveira e Antônio Cardoso de Oliveira, uma gleba de Vargens entre Malhada Grande, Furados e Lagoa do Mato, medindo dois mil 169 braças, com currais, mangas, tapagem de tanque e casa de enchimento. (APEB. Judiciário, SRJ/25/17, f. 16v. Escritura, 20 jul., 1861 apud NEVES, 2003, p. 420)

A história oral também nos informa que o local citado no registro como Furados é a atual sede de Tanque Novo. Neves (2003) informa que Umbelino José Gomes, pai de Arlinda Francisca Gomes, comprou em 1875 um terreno na região próxima à atual sede do município de Tanque Novo:

Nesse mesmo ano (1861) Cláudio Antônio de Oliveira e sua mulher Joana Francisca de Jesus venderam metade de Vargens (gleba), com benfeitorias, por dois contos de réis, para José Rodrigues Malheiros [...], (APEB. Judiciário, SRJ/25/17, f. 20v. Escritura, 28 set., 1861 apud NEVES, 2003, p. 420-421 (Grifo meu)).

[...] que negociou, em 1876, Saco dos Furados, por um conto de réis, para Umbelino José Gomes e Joaquim Monteiro de Magalhães. (APEB. Judiciário, SRJ/25/28, f. 17. Escritura, 31 de out., 1875. NEVES, 2003, p. 421)

A palavra Saco se refere a uma entrada de campo alagadiço, uma vereda que se formou entre partes mais altas. Furados era o nome da fazenda onde se encontrava o terreno comprado por Umbelino José Gomes e Joaquim Monteiro de Magalhães. No ano 1883, o senhor Juvêncio Alves Carneiro, juntamente com o seu irmão Prudenciano Alves Carneiro, comprou uma parte da fazenda Furados, conforme os dois documentos conhecidos, que foram assinados na Lapa Grande, local que será descrito a seguir, sendo eles praticamente iguais, com a diferença do nome do comprador. O que se refere a Juvêncio Alves Carneiro é o seguinte:

Digo eu Eduarda Antonia da Silva que entre os mais bens que sou senhõra e puçuidôra livre e dezembargados é bem afsim uma parte de terras que puçuo na fazenda dos furados, que se acha extremada de um mourão a outro, extremado pelo Sul Com o Tenente Joaquim Antônio Cardozo, e pelo Norte Com o primeiro puçuidor, Conforme a partilha da mesma fazenda, e pelo Nascente, nos limites que já forão averiguados, Com a fazenda do Arraial, pelo puente onde chega o dominio da mesma fazenda, de Cujas Terras já mencionadas, vendo ao senhor Juvêncio Alves Carneiro no valor da Compra feita ao Tenente José Antônio de Oliveira e Silva da quantia de hum conto quientos e vinte nove mil novecentos e oitenta e sete reis, do qual vendo ao Comprador a quantia de cento e oitenta e hum mil trezentos e oitenta e sete reis, pelo preço de duzentos e trinta e cinco mil setecentos e quatorze reis, que recebi ao paçar desta, inclusive na mesma venda uma parte nos benefícios que houver em relação a quantia de compra feita ao primeiro comprador, Cuja parte de terras vendo Como de facto vendido tenho ao dicto comprador, que poderá puçuila desfructala d’Ora em diante que, nem eu nem meus herdeiros poderemos reclamar a dicta venda por ter sido feita de minha livre e expontannia vontade, ficando o Compradôr obrigado a pagar a Cira nacional e eu obrigada a fazer-lhe a venda boa, e por não saber ler nem escrever pedi ao senhor Rozendo Domingues Cardozo, que esta por mim passasse em presença das testemunhas aqui também assignadas. Lapa Grande 30 de Outubro de 1883. Assigno-me arrogo da vendedôura Dona Eduarda Antônia da Silva. (Assinam: Rozendo Domingues Cardozo, Dos. Anges Cardozo Dourado, José da Silva Dourado e Abílio Cardozo Pereira)

Segundo as fontes orais, Eduarda Antônia da Silva seria viúva do tenente José Antônio de Oliveira e Silva, e esse seria filho de Cláudio Antônio de Oliveira, citado anteriormente. Atualmente existe uma localidade que está a 3 km em linha reta, ao norte, da atual sede de Tanque Novo, conhecida como Lagoa da Pedra, o mesmo nome citado no registro 185. As localidades Malhada Grande, Furados e Lagoa do Mato estavam a aproximadamente 7, 3 e 1 km de distância em linha reta, respectivamente, de Lagoa da Pedra. A partir do levantamento dos limites da área comprada pelos irmãos Carneiro, feito com base nas informações fornecidas pelo neto homônimo de Juvêncio Alves Carneiro, que apontou os extremos da parte adquirida, inferimos que a localidade Lagoa da Pedra, para onde Juvêncio foi depois de casar, não era dele, estando provavelmente na área comprada pelo sogro.

Presume-se que o casamento de Juvêncio Alves Carneiro e Arlinda Francisca Gomes tenha ocorrido antes de 1875, ou nesse ano, pois naquela época não era comum as mulheres engravidarem antes de se casar e nesta data eles já tinham a filha Maria da Glória Carneiro, pois na lápide de Maria da Glória está escrito que ela morreu com 44 anos no dia 03 de agosto de 1919.

Segundo depoimento do neto homônimo de Juvêncio Alves Carneiro, sua primeira esposa Arlinda faleceu em 1896. Acredita-se que só a partir desse ano Juvêncio se mudou para o Alecrim I, localizado na parte da fazenda Furados comprada por ele e o seu irmão Prudenciano. Juvêncio casou-se novamente, desta vez com a sobrinha Ana Bela Marques Carneiro, filha de Prudenciano Alves Carneiro e Ursulina Constância de Jesus, que já moravam no Furados. O sobrenome Marques no nome de Ana Bela, ou Bilinha, como também era conhecida, foi informado por fontes orais e seria de origem materna, há mais sobre os pais dela no texto do Furados. Prudenciano incentivou o casamento de sua filha, mesmo sendo o tio dela bem mais velho, viúvo com dez filhos.

Juvêncio construiu uma casa quando se mudou para o Alecrim I, na coordenada 776.276N e 8.501.297E (Alecrim I ou Alecrim Novo). Parte desta casa está na foto abaixo, pintada de branco. Na casa amarela, no lado esquerdo da foto, residiu o seu filho Prudenciano Alves Carneiro, que tinha o mesmo nome do seu avô que também era seu tio. A outra casa amarela, no lado direito, foi construída recentemente sobre uma parte da casa velha por Juvêncio Bonfim Carneiro, filho do Prudenciano referido anteriormente.

Apenas uma filha, dos dez que Juvêncio teve com Arlinda, na Lagoa da Pedra, também fixou residência no Alecrim, a senhora Maria da Glória Gomes, também conhecida por Mariquinha. Ela se casou com o senhor Zeferino Rodrigues de Magalhães, que, segundo fontes orais, seria filho de Roza da Silva Pereira e Umbelino José de Magalhães, no dia 22 de janeiro de 1899 e morou com ele inicialmente no João Vaqueiro, conforme indicado nas anotações do mesmo.

No registro de nascimento de Silvina, citado no texto sobre o Mocambo dos Cardoso, descobrimos que ela seria uma das irmãs de Zeferino e que o pai deles era lavrador natural de Água Quente, atual município de Érico Cardoso, e a mãe natural de Piedade, próximo ao Mocambo dos Cardosos. Os avôs paternos chamavam-se: Claudino José de Magalhães e Anna Luiza das Neves e os avôs maternos: Gordiano Rodrigues da Silva e Maria da Silva Pereira. O registro foi feito pelo cunhado de Zeferino, Leonel Monteiro de Magalhães, da comunidade Rapadura, com quem Silvina casou-se 26 anos depois de ter sido registrada por ele, e que, na ocasião, era casado com outra irmã de Zeferino chamada Jovina Rosa de Magalhães.

Como vimos no registro de nascimento n. 21, o lugar Alecrim já existia quando Juvêncio Alves Carneiro chegou. Os moradores relatam que no lugar conhecido atualmente por João Vaqueiro se encontravam as casas mais antigas, por isso também era chamado de Alecrim Velho. Segundo as fontes orais, também existia uma casa antiga no Alecrim I, próximo à casa construída por Juvêncio, que pertenceu ao seu irmão Francisco Alves Carneiro, e, depois ao filho mais velho de Zeferino e Mariquinha, José. Sabemos que José morou até o fim da década de 1930 no João Vaqueiro e só depois dessa data adquiriu a casa no Alecrim I, mas não foi possível descobrir se houve um intermediário entre Francisco Alves Carneiro e José na casa velha do Alecrim I.

A origem do local chamado Alecrim II também é no mínimo contemporânea ao Alecrim I, pois as informações orais indicam que uma irmã de Juvêncio, Custódia, teria morado lá com o marido, como veremos em seguida. Outro lugar que também parece ter sido habitado, na época em que Juvêncio construiu a casa no Alecrim I, é a vereda do Alecrim, conhecida também como vereda do Duquinha. Segundo algumas fontes orais o nome Duquinha é uma referência ao cunhado de Juvêncio, casado com sua irmã Exupéria, outras fontes consideram que Exupéria teria se casado e ido embora para São Paulo com seu marido, que se chamaria Joaquim Marques. Um registro encontrado em Caldeiras, distrito de Caetité, mostrado no texto sobre a comunidade Mocambo dos Cardosos, leva-nos a pensar em mais uma versão. O casal referido seria: Exupéria Maria de Magalhães e Joaquim Monteiro de Magalhães, pais de Leonel de Magalhães Cardozo, cujo filho se casou com a filha de Juvêncio e Ana Bela, como veremos. Essa versão carece de comprovação, mas, sendo considerada, explica a ocupação da vereda do Duquinha antes do Alecrim I, pois Joaquim Monteiro de Magalhães comprou em 1876, juntamente com Umbelino José Gomes, parte de Saco dos Furados, cuja descrição se assemelha bastante com a vereda do Duquinha. Nesse caso o Duquinha seria o próprio Joaquim Monteiro de Magalhães.

A história de Francisco Alves Carneiro também esclarece um pouco mais sobre a história do Alecrim I. Segundo Abderman Carneiro Pimenta, um historiador e Antônio Carneiro Dourado, um artista, moradores de Lapão e Canarana, respectivamente, e bisnetos de Francisco, ele se casou duas vezes, primeiro com Maria da Glória Cardoso Carneiro, depois com Ana Amélia Cardoso Carneiro, irmã da primeira, e teve onze filhos. Depois que morou no Alecrim foi para um lugar denominado Mundo Novo, atualmente no município América Dourada, Bahia, a mais de 200 km, em linha reta, a nordeste do Alecrim. Viveu com a família nas fazendas Bonita, onde ficou a maior parte do tempo, Enxu e Lapa Grande.

A fazenda Lapa Grande se estendia por cerca de 20 km entre os atuais municípios de Lapão e Canarana, nas margens da vereda Romão Gramancho ou rio Jacaré. Foi o local onde os documentos da compra de parte da fazenda Furados foram assinados, em 1883, o que indica que Francisco tenha sido o intermediário da compra ou o próprio comprador da parte que ficou com seus irmãos e já estaria lá nessa data. Na fazenda Lapa Grande também viveu João Carneiro, irmão de Maria da Glória, sobrinho de Francisco Alves Carneiro. Sua primeira esposa foi sua prima Maria, filha de Antônio Lalau e Amélia Gomes. Maria faleceu no primeiro parto, dez meses após seu casamento. Sua segunda esposa foi Ana Bela Cardoso, que também era viúva e natural de Canarana e, por causa dela, João Alves Carneiro foi para a fazenda Lapa Grande em 1907.

Juvêncio e Ana Bela Carneiro tiveram sete filhos, desses, três morreram ainda crianças. Os outros quatro eram: Arlinda Bela Carneiro, Belarmino Alves Carneiro, Maria da Conceição Carneiro e Prudenciano Alves Carneiro (1917-2002). Arlinda casou-se com o primo Benvido Lessa Carneiro, filho de Constança Clemencia de Jesus e Joaquim Lessa, que, segundo o registo 181, que veremos, moravam em Furados. Como vimos na descrição dos limites da parte de terras na fazenda Alecrins, declarada por Manoel Francisco da Cunha, em 1857, João da Silva Lessa limitava com Alecrins, ao norte e, pelo sobrenome, inferimos que Joaquim Lessa seja parente próximo de João da Silva Lessa. Benvindo morou nos Furados com os pais e depois de casado, passou a morar nas terras da esposa no Alecrim. Belarmino casou-se com uma mulher chamada Josefina e se mudou para as terras dela, no Traçadal, região de Livramento. Maria da Conceição casou-se com João Magalhães Cardoso, filho de Leonel de Magalhães Cardozo e Hermelina de Azevedo e Silva. Inicialmente foi morar com a família do marido, no Mocambo dos Cardosos, mas depois retornou com ele para o Alecrim. Prudenciano casou-se com uma neta de Zeferino, Noeme, e continuou morando no Alecrim.

Como vimos na imagem com anotações de Zeferino, este teve nove filhos com sua esposa Mariquinha e perdeu três ainda crianças, os outros foram: José (01/04/1901), Francisco (09/02/1903), Arlinda (28/08/1904), Anízia (04/10/1907), Amélia (06/07/1909), Rosa (29/12/1911) e Jovenal (09/05/1917). José de Magalhães Carneiro casou-se primeiramente com Belarmina Lessa, sobrinha de Benvindo Lessa e, depois que essa morreu afogada no João Vaqueiro, grávida do sétimo filho, ele se casou com Belarmina Francisca de Jesus, natural de São Domingos e residiu na casa que era de Francisco Alves Carneiro, no Alecrim I. Amélia casou-se “na família Maroto’; Rosa com Altino; Juvenal com Bela e depois com Maria; e ficaram no João Vaqueiro (775.093E e 8.501.016N). Arlinda casou-se com Octávio e foi para o Bandeira (774.705E e 8.500.394N). Anízia casou-se com Francisco Ferreira das Neves, foi para Lagoa Redonda e depois para São Paulo.

Maria da Glória Carneiro, morreu no dia 03 de agosto de 1919, aos 44 anos, em conseqüência de um parto complicado, deixando Zeferino viúvo. O então capitão, assim descrito na lápide, Juvêncio Alves Carneiro morreu em 20 de maio de 1920, deixando sua esposa Ana Bela também viúva. Como Zeferino e Ana Bela eram viúvos e moravam no Alecrim, acabaram se casando no dia 03 de novembro de 1920. Do segundo casamento dos dois, nasceu Venício de (01/08/1921), Celcina (08/09/1923) e Dalila (10/04/1926), todos Magalhães Carneiro. Um fato ocorrido no ano do nascimento da filha caçula, Dalila, que se encontra vivo na memória dos moradores, é a presença dos revoltosos da Coluna Prestes, que, ao chegarem por ali, as famílias abandonaram suas casas e se esconderam por alguns dias, enquanto os invasores matavam animais e usavam as cozinhas para preparar seus alimentos.

Venício casou-se com a prima Dalcy de Assis Carneiro, filha do irmão de Ana Bela, José Marques Carneiro, popularmente conhecido por Cazuza. Ela morava nos Furados, ficou um tempo no Alecrim com o marido, mas depois eles retornaram para Furados. Celcina casou-se com um dos netos de Juvêncio Alves Carneiro, que tinha o mesmo nome deste, filho de Arquimimo e Ermínia, moradores do Pintado. Juvêncio e Celcina fizeram uma nova casa no Alecrim, próximo à vereda e depois foram para Furados. Dalila casou-se com o primo Nelson, filho do irmão de seu pai, Manoel Rodrigues de Magalhães, conhecido por Nezim e depois foi para Iuiú, na divisa entre Bahia e Minas Gerais, onde o Nelson tinha parente.

Essa genealogia resumida dos antigos moradores do Alecrim I nos mostra que todos estão ligados de alguma forma à Ana Bela Marques Carneiro, sendo ela esposa, mãe, madrasta ou sogra dos mesmos. Dentre os seus descendentes, muitos permaneceram na comunidade Alecrim e outros tentaram a vida em lugares diferentes, sendo Furados o mais procurado. Consideramos que os laços de parentesco entre os atuais moradores de Tanque Novo e Alecrim justificam a inserção de toda essa comunidade nos limites legais de Tanque Novo.

A localidade Alecrim II que está em Paramirim na coordenada 776.451N e 8.504.147E, a aproximadamente 3 km ao norte do Alecrim I, está ligada a comunidade Alecrim, cuja capela se encontra em Tanque Novo, através de uma das irmãs de Prudenciano e Juvêncio, Custódia Maria de Jesus, casada com Benedicto Ferreira das Neves, por isso também é conhecida por Alecrim dos Ferreiras. Segundo as informações orais, Benedicto teria se casado outras duas vezes antes de vir para o Alecrim e seria proveniente da fazenda São José, próxima ao município de Igaporã.

Os filhos e as respectivas noras do casal foram: Manoel Ferreira e Francisca Alves Carneiro, prima, filha do irmão de Custódia, Juvêncio Alves Carneiro com Arlinda Francisca Gomes; Abílio Ferreira e Benvinda Marques, prima, filha da irmã de Custódia, Antônia Maria de Jesus (Antoninha) com Ângelo Marques Silva; Clemente Ferreira e Francisca Marques, prima, irmã de Benvinda Marques. As filhas teriam sido: Mariquinha e Ana Joaquina, das quais só obtivemos informações da primeira em um registro de casamento encontrado nas caixas do material sobre o cartório de Lagoa Clara. Mariquinha chamava-se Maria Custódia de Jesus e se casou com Archilino José Rodrigues, da Boca do Campo, em 1917. Sabemos através das informações orais que Manoel Ferreira e a esposa moraram no Alecrim II, onde atualmente mora Hermeregildo Francisco Ernesto, depois fizeram casa no Furados, onde se fixaram alguns descendentes. Clemente Ferreira e a esposa também teriam morado no Alecrim II e depois no Furados, mas não obtivemos informações sobre seus descendentes. O paradeiro de Abílio também não foi esclarecido, algumas fontes nem citam esse como filho de Custódia e Benedicto. Manoel e Francisca tiveram sete filhos: Pedro Ferreira, José Ferreira, Maurílio, Israel, Arlinda, Maria Ferreira e Custódia.

Quando esses viviam, o transporte utilizado era o cavalo ou o carro-de-boi, o tratamento de doenças era a base de chás, ervas e curandeiros, as aulas eram dadas na casa de uma pessoa mais velha, com cartilhas e professores com baixo grau de escolaridade e a economia era baseada principalmente na agropecuária local.

A comunidade só se tornou mais atrativa para outras famílias a partir de 1970, com a construção de estradas, da Escola Municipal Zeferino Rodrigues de Magalhães, localizada na coordenada 775.701E e 8.501.234N, campo de futebol, aguadas públicas e, a partir de 1985, ano da emancipação do município, com a construção do poço artesiano e da capela, que tem por padroeiro São Sebastião.

Conforme os moradores, no ano 2007 já não existiam analfabetos no Alecrim e quase todas as crianças estudavam na comunidade; apenas 10 estudavam fora. Em 2009, este número inverteu, sendo que apenas 11 crianças estudaram na escola da comunidade, 10 no ensino fundamental inicial e uma na pré-escola, as outras na sede do município. Dos estudantes da comunidade apenas um foi atendido por transporte escolar em 2009. A comunidade conta atualmente com energia elétrica e água encanada, proveniente da barragem do Zabumbão, no município Paramirim, que é bombeada para a sede e outras regiões do município, passando pelo Alecrim, e existe também a Associação Beneficente Comunitária do Alecrim, ativa desde 28 de junho de 1996 e a Associação dos Pequenos Produtores Rurais da Comunidade de Alecrim II, ativa desde 05 de maio de 1998.

Os moradores valorizam os poucos espaços naturais, a flora, principalmente os umbuzeiros, e a fauna silvestre, como tentativa de preservar as características originais, que hoje se encontram ilhadas entre o pasto para o gado e as áreas em processo de degradação. Nem mesmo a planta Alecrim, que os moradores consideram a origem do nome, é encontrada com facilidade na comunidade. Por exemplo, na vereda do Alecrim, conhecida anteriormente como vereda do Duquinha, onde existiam fauna e flora diversificada na década de 1980, hoje se encontra a pista de corrida de cavalo, a pista de MotoCross e uma área com poucas árvores, mantidas graças aos proprietários particulares. Os relatos dizem que existiram veados campeiros, tatus, micos, aves silvestres, preás, raposa, gato-do-mato, que atualmente são raros. O solo, que é arenoso e com pedregulhos, está se tornando cada vez menos fértil.

A economia local se baseava principalmente na agropecuária, mas atualmente muitas pessoas da comunidade têm casas na sede e são realizadas atividades econômicas secundárias, sendo a fonte de renda principal obtida na cidade. Os que dependem exclusivamente do que produzem na terra são poucos, ou sequer existem, depois dos programas assistencialistas do governo federal. A atividade de mineração informada é a retirada de britas, a partir das rochas que alguns proprietários encontram em suas propriedades.

As doenças que mais afetam as pessoas da comunidade, segundo os próprios moradores, são decorrentes de hipertensão, diabetes, problemas respiratórios e verminoses. Cada família tem sua fossa e o lixo é queimado por alguns e outros usam como adubo. A comunidade possui o Programa de Saúde da Família e uma agente comunitária de saúde.

Na culinária local destaca-se o bolo de puba, chimango, avoador, escaldado, beiju de massa, beiju de tapioca, cuscuz, pamonha, chotão de farinha, requeijão etc. No artesanato destacava-se o processo de fabricação de roupas de algodão pelas moradoras mais antigas usando a roca e o fuso no preparo da linha e o tear para a fabricação dos tecidos. Com esses confeccionavam calças, camisas e cobertores, que eram chamados de bitus. Eram confeccionados também mortalhas e o cordão de São Francisco. Os homens trabalhavam com madeira fazendo caixão de farinha, carros-de-boi etc. Com o couro fabricavam bruacas, malas que eram usadas em animais, alforjes, chinelos, relhos etc. As principais manifestações culturais são: festa religiosa de São Sebastião, festa popular de São João, rezar a Via-Sacra e as novenas de Natal, queimar o Judas, dançar forró e escutar música sertaneja.

As crianças sempre aproveitaram os intervalos das aulas para praticar futebol. Quando os adultos de hoje eram jovens, criaram o time que se reunia todas as tardes para treinar, no campinho em frente ao prédio escolar. Com o tempo, começaram as disputas aos domingos, com times de outros lugares. Hoje a comunidade tem um campo de futebol em uma área comprada do senhor Isac Lessa Carneiro, um dos entrevistados. Além do futebol, antes as crianças jogavam dama, baralho, peteca, brincavam de ciranda, esconde-esconde, pico, morto-vivo, boneca-de-pano, cavalo-de-pau e carrinho-de-boi, feito com caule seco do pé de milho. Hoje gostam mais de futebol, baleada e brincam com os brinquedos comprados nas lojas da cidade.


15 de set. de 2010

CASAMENTO DE ARLINDO E RAQUEL - DOCUMENTOS





Esses documentos foram fotografados em cartório e cedidos por Fernando Carneiro. Referem-se às petições e certidões do casamento civil de Arlindo Alves Carneiro e Raquel Pereira Carneiro, em 1948. O casamento religioso aconteceu cinco anos antes, ou seja, em 1943.
Curiosidade: Os documentos com os algarismos 04 e 05 dizem respeito ao registro de nascimento de Raquel Pereira de Andrade. Percebemos que seu pai, Renato Pereira de Andrade, só foi registrá-la em 1931, um ano antes da formatura dela. Outro detalhe: como seu pai não sabia ler, nem escrever, existe a expressão "assinando a rogo do declarante..."
Clique nas figuras para ampliá-las.


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8 de ago. de 2010

HINO DA PADROEIRA DE TANQUE NOVO





Imagem de Coração de Maria
(Padroeira de Tanque Novo)


Hino da Padroeira de Tanque Novo

Lindouro Marques Silva


Salve, Salve, Coração de Maria!

Nossa Mãe e nossa Padroeira,

Virgem Santíssima, Mãe do Redentor

Nossa Senhora, Mãe cheia de amor.


Rogai, rogai por nós!

Venho pedir com fé, (Bis) - Refrão

Oh! Virgem Imaculada,

Maria de Nazaré!


O Anjo Gabriel, quando Deus enviou,

Disse que tu serias a Mãe do Salvador.

Maria refletiu toda cheia de encanto.

O anjo então disse: é obra do Espírito Santo

(Volta refrão)


Ave cheia de graça, Maria da Conceição.

Tu és pura, Maria, de alma e coração.

Maria disse sim, ao ouvir a saudação.

E deu a luz a Jesus, para a nossa salvação.

(volta refrão)


Tu és minha Mãe querida, a estrela que reluz.

Que ilumina os caminhos, e nos leva até Jesus.

Mãe da Divina Graça, Mãe pura como a flor.

Estrela da Manhã, que o anjo anunciou.

(Volta refrão)


Bendita és Tu, Maria, sem pecado, concebida.

Rogai por todos nós, nossa Mãezinha querida!

Lá no jardim do céu, Tu és a mais linda flor.

A nossa estrela guia, Mãe de Nosso Senhor.

(Volta refrão)


Oh! Virgem do Rosário, ouvi esta canção!

Que canto com a alma e com o coração.

Os anjos, lá no céu, cantam esta melodia,

Para nossa Padroeira, Coração de Maria.

(Volta refrão)



Foto de Lindouro


Lindouro Marques Silva _ músico, maestro e compositor. Nasceu em Tanque Novo - Bahia, e era filho de Ângelo Marques da Silva (+1979) e Jovita Rita Carneiro (+2005). Lindouro faleceu em 2002, vítima de câncer. Deixou viúva Ana Amélia Batista Carneiro (Dori) e duas filhas: Anamaria e Ana Luísa. Ele foi aluno e era afilhado da professora Raquel Pereira Carneiro.


Veja o videoclipe do Hino ao Coração de Maria:
São imagens dos festejos da padroeira de Tanque Novo associadas a outras imagens da Internet, principalmente, de Nossa Senhora. Para a introdução, colocamos desenhos de Fábio Magalhães (antiga capela e primeira igreja), junto com fotos da Igreja Matriz. E, no final, fotos da banda filarmônica de Tanque Novo, quando Lindouro era músico integrante da mesma.
O áudio foi gravado com o saudoso Lindouro Marques no saxofone, e contou com a participação, no vocal, de Elísia, esposa de Vanderlino ("Verinha da Contabilidade"), em Caetité.


21 de jul. de 2010

COMPROVAÇÃO DA HISTÓRIA DE TANQUE NOVO



Recibos comprovando a compra da Fazenda dos Furados pelos irmãos Prudenciano AlvesCarneiro e Juvêncio Alves Carneiro, em 30 de outubro de 1883.
Clique nas figuras para ampliá-las.




Recibo passado para Juvêncio Alves Carneiro


Verso do recibo de Juvêncio



Recibo passado para Prudenciano Alves Carneiro



Verso do recibo de Prudenciano


Veja o texto digitado e cedido gentilmente por Fernando Carneiro que fez a cópia fiel, com todos os erros de português e grafias antigas. Vale ressaltar que o texto é igual para os dois recibos, mudando apenas o nome do comprador. A expressão "cira nacional" deveria ser cifra nacional.


Digo eu Eduarda Antonia da Silva que entre os mais bens que sou senhõra e puçuidôra livre e dezembargados é bem afsim uma parte de terras que puçuo na fazenda dos furados, que se acha extremada de um mourão a outro, extremado pelo Sul Com o Tenente Joaquim Antônio Cardozo, e pelo Norte Com o primeiro puçuidor, Conforme a partilha da mesma fazenda, e pelo Nascente, nos limites que já forão averiguados, Com a fazenda do Arraial, pelo puente onde chega o dominio da mesma fazenda, de Cujas Terras já mencionadas, vendo ao senhor Juvêncio Alves Carneiro no valor da Compra feita ao Tenente José Antônio de Oliveira e Silva da quantia de hum conto quientos e vinte nove mil novecentos e oitenta e sete reis, do qual vendo ao Comprador a quantia de cento e oitenta e hum mil trezentos e oitenta e sete reis, pelo preço de duzentos e trinta e cinco mil setecentos e quatorze reis, que recebi ao paçar desta, inclusive na mesma venda uma parte nos benefícios que houver em relação a quantia de compra feita ao primeiro comprador, Cuja parte de terras vendo Como de facto vendido tenho ao dicto comprador, que poderá puçuila desfructala d’Ora em diante que, nem eu nem meus herdeiros poderemos reclamar a dicta venda por ter sido feita de minha livre e expontannia vontade, ficando o Compradôr obrigado a pagar a Cira nacional e eu obrigada a fazer-lhe a venda boa, e por não saber ler nem escrever pedi ao senhor Rozendo Domingues Cardozo, que esta por mim passasse em presença das testemunhas aqui também assignadas. Lapa Grande 30 de Outubro de 1883. Assigno-me arrogo da vendedôura Dona Eduarda Antônia da Silva. (Assinam: Rozendo Domingues Cardozo, Dos. Anges Cardozo Dourado, José da Silva Dourado e Abílio Cardozo Pereira)

Filhos do primeiro casamento de Prudenciano Alves Carneiro com Ursulina Marques:


1) Amélia Marques Carneiro _ casou-se com Pedro Germano Costa, natural de Paramirim – Bahia.


2) José Marques Carneiro (Cazuza) _ foi casado duas vezes: a primeira, com Maria Rita Carneiro Lessa; e a segunda vez com Afra Assis Bonfim.



3) Manoel Marques Carneiro _ teve três casamentos: o primeiro com Virgilina Lessa Carneiro; o segundo com Josefina Silva; e o terceiro com Etelvina Maria de Jesus.



4) Ana Bela Carneiro (Bilinha) _ teve dois matrimônios: o primeiro, com seu tio Juvêncio Alves Carneiro; e o segundo, com Zifirino Rodrigues Magalhães, ex-genro de Juvêncio Alves Carneiro.



5) Maria Rita Carneiro (Ritinha) _ casou-se com seu primo José Alves Carneiro (Zeca Carneiro).



6) Francisco Marques Carneiro – juntamente com sua esposa e prima Ana Flora Carneiro (Neme), foram morar em Terra Boa – Paraná.




Filhos do segundo casamento de Prudenciano Alves Carneiro com Gertrudes Francisca de Jesus:



1) Belarmino Alves Carneiro (Belo) – era casado com Ana Joaquina Carneiro Lessa; e foram morar em Terra Boa, Paraná.



2) José Antônio Carneiro (Zeca Antônio) – tinha como esposa, Belarmina Batista (Bela) que era filha de Jovino Batista e Amélia. Zeca Antônio e Bela faleceram em Caetité – Bahia.



3) Maria Francisca de Jesus (Dona) – seu marido foi Joaquim Alves Carneiro. Foram eles nossos avós paternos.



Filhos do primeiro casamento de Juvêncio Alves Carneiro com Arlinda Francisca Gomes:



1) Joaquim Alves Carneiro (Coronel) – teve como primeira esposa, sua prima Maria Francisca de Jesus (Dona). E, como segunda esposa, Etelvina Oliveira.



Obs.: Como se tratam dos nossos avós paternos (Coronel e Dona), vamos citar os filhos deste tronco familiar:



a) Deolinda Carneiro Marques (Dió) – esposa de Teotônio Marques da Silva;



b) Ana Amélia Carneiro Pimenta (Nana) – foi a primeira esposa de Raulindo Cardoso Pimenta;



c) Arminda Alves Carneiro (Nenzinha) – era excepcional e morreu com trinta e poucos anos;



d) Maria da Glória Carneiro David (Mariquinha) – foi abandonada pelo seu marido Durval David;



e) Arlindo Alves Carneiro – era casado com Raquel Pereira Carneiro (nossos pais);



f) Luís Alves Carneiro – deixou viúva Helena Afonso Carneiro (Lala), que é descendente de portugueses;



g) Celso Alves Carneiro – deixou viúva Isaura Lopes Carneiro;



h) Amândio Alves Carneiro – sua esposa foi Olinda Rosa Malheiro Carneiro;



i) Alzira Francisca Carneiro – faleceu com quatorze anos;



j) Maria de Lurdes Carneiro Neves – foi a segunda esposa de Azarias José das Neves;



k) Maria Lili Carneiro Santos – é casada com Mílton Santos e moram em Canabravinha, município de Paramirim.



2) Maria da Glória Carneiro (Mariquinha) – foi casada com Zeferino Rodrigues Magalhães.



3) João Alves Carneiro – sua primeira esposa foi sua prima Maria (filha de Antônio Lalau e Amélia Gomes). Essa primeira esposa faleceu no primeiro parto, dez meses após seu casamento. Sua segunda esposa foi Ana Bela Cardoso, que também era viúva, natural de Canarana – Bahia, onde ficaram residindo.



4) José Alves Carneiro (Zeca Carneiro) – casou-se com sua prima Rita Marques Carneiro (Ritinha).



5) José Gomes Carneiro (Zezinho) - seu primeiro casamento foi com Ana do Carmo Malheiro (Naninha); e o segundo casamento, com Natalina Carneiro Araújo.



6) Umbelino Alves Carneiro – foi casado com a prima Ana Joaquina Carneiro Ferreira (irmã de Manoel Ferreira). Umbelino faleceu com 35 anos.



7) Ana Flora Carneiro (Neme) – teve como esposo, seu primo Francisco Marques Carneiro. Foram residir em Terra Boa – Paraná.



8) Arquimimo Alves Carneiro – era casado com Hermínia Maria do Carmo (Dona).



9) Antônio Alves Carneiro – casou-se a primeira vez com Ursulina Carneiro (filha de Cazuza). E, a segunda vez, com Amélia Maria do Carmo.



10) Francisca Gomes Carneiro – era casada com Manoel Ferreira das Neves.



Filhos do segundo casamento de Juvêncio Alves Carneiro com Ana Bela Carneiro (Bilinha):
1) Arlinda Bela Carneiro – casou-se com seu primo Benvindo Carneiro Lessa.
2) Belarmino Marques Carneiro (Belo) - seu primeiro casamento foi com Josefina Oliveira; e o segundo, com Maria. Belarmino residia em Santa Maria da Vitória.
3) Maria da Conceição Carneiro – viúva de João Magalhães Cardoso.
4) Prudenciano Alves Carneiro – homônimo do seu tio, deixou viúva Noeme Lessa Carneiro (sua sobrinha).
Qual foi o destino dos outros irmãos de Juvêncio Alves Carneiro e Prudenciano Alves Carneiro, os fundadores de Tanque Novo?
1) Constança Alves Carneiro – era casada com Joaquim Francisco Lessa (Quinca Lessa). Seus filhos foram: Benvindo Lessa, Manoel Lessa, Maria Madalena e Maria Rita (1ª esposa de Cazuza).
2) Maria Alves Carneiro – casou-se com José Antônio Pereira. Eram os pais de Antônio, Ana Flora (mãe de Jacinto Cesáreo) e Maria Angélica (mãe de Pereira e Afonso).
3) Custódia Alves Carneiro – era esposa de Benedito Ferreira Neves. Tiveram os seguintes filhos: Clemente, Mariquinha, Ana Joaquina e Manoel Ferreira das Neves (marido de tia Francisca).
4) Antonina Alves Carneiro – seu marido foi Ângelo Marques. Eram os pais de Maria Rosa (esposa de Dãozinho) e Laudelino (Lolô).
5) Exupéria Alves Carneiro e seu marido Joaquim Marques (Quinquinha) foram morar em São Paulo.
6) Carlota Alves Carneiro e seu esposo Ângelo Muniz constituíram família na Fazenda Torta, Igaporã – Bahia.
7) Ana Joaquina Alves Carneiro e seu marido José Araújo moraram na Fazenda Morros, Caetité – Bahia.
8) Ursulina Alves Carneiro e seu esposo Hermelino Araújo residiram na Fazenda Pinga, Caetité – Bahia.
9) Antônio Alves Carneiro – morreu solteiro.
10) Francisco Alves Carneiro – foi morar em Canarana, Bahia. Infelizmente, ninguém soube dizer o nome de sua esposa. Teve três filhos: Lizarda que ficou em Canarana, e mais dois que foram para Minas Gerais: Zuza e Catão.


P/S.: Segundo comentários de Fernando Carneiro (veja abaixo), Francisco Alves Carneiro casou-se duas vezes: a primeira esposa foi Maria da Glória Cardoso Carneiro, e a segunda, sua cunhada Ana Amélia Cardoso Carneiro.




Obs.: Os dez irmãos citados acima, juntamente com Juvêncio e Prudenciano, eram filhos do casal José Joaquim Carneiro e Clemência de Oliveira Alves. Lembramos que José Joaquim Carneiro foi abandonado pelo seu pai Bento Carneiro, que era um aventureiro, descendente de portugueses e, indiscutivelmente, o precursor da família Carneiro de Tanque Novo.




P/S. Veja a Árvore Genealógica (Clique aqui).



13 de jun. de 2010

PAINEL DE FÁBIO MAGALHÃES









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Tanque Novo: Uma Abordagem Cultural e Histórica de Um Povo

Fábio Magalhães

A identidade cultural de um povo está intimamente ligada à sua memória, mas, não pode ser vista como um conjunto de valores fixos e imutáveis. Faz parte do processo de continuidade de uma sociedade, a incorporação de elementos novos, e isso é o que a mantém viva ao longo do tempo.
É através dela que o indivíduo se adapta e reconhece um ambiente como seu. Dessa forma, sem a identidade cultural, seria impossível que as pessoas se encaixassem em uma sociedade com características próprias. Diante dessa complexa malha que envolve a cultura com suas festas, ritos, cantigas, folclore, modos de falar, de vestir; os costumes, o saber, bens imateriais, música, danças, etc.
Sendo assim, como extrair a identidade cultural de uma cidade se não for pelo viés da poesia, da arte... Como costurar a grande colcha de retalhos que é a cultura popular? Entre a infinidade de manifestações vividas por um povo, nas suas mais variáveis fronteiras. Quais usar? Quais imagens melhor expressam nossas características? Como abordar aquilo que nos é comum no dia-a-dia?
Contudo, por mais difícil que pareça, para compor nossa colcha, entre um manancial de retalhos, singular, foi preciso selecionar alguns:
_ Para as bordas, duas noites: a primeira, do dia 23 de junho, iluminada pelo ardor das fogueiras _ a noite de São João. Do outro lado, a que ressoa os ecos dos versos da contradança, da toada, do ABC, e das cantigas _ a noite da Folia de Santos Reis, em seis de janeiro. _ Então, no decorrer da trama, foram colados, justapostos, os retalhos da Queima de Judas, no sábado de aleluia. O bumba-meu-boi, a erguida do Mastro que abrilhantam o entardecer dos sábados, nos festejos da padroeira. Logo depois, um retalho centenário e de fé _ uma procissão do “Apostolado Coração de Jesus”.
_ Sem esquecer o retalho mais genuíno: trinta e uma noites de nossos leilões com toda a irreverência e alegria do Sr. Maninho; e dos inesquecíveis pirulitos de mel. Também, houve espaço para o cultivo da terra _ o retalho do feijão, do milho e da mandioca, com a produção da farinha nas casas de rodas. Em seguida, costuraram-se os retalhos históricos: ao centro, as sombras que brotam da terra, alusivas á memória dos fundadores da cidade _ os irmãos Juvêncio e Prudenciano, separados pelas veredas.
_ A primeira capela, em períodos distintos; e o carro de boi.
Nessa colcha, também, sopram os ventos da lembrança: não poderia falar de uma cidade sem relembrar os cidadãos que nela vivem ou viveram: oito pessoas que compõem o diversificado tabuleiro social; pessoas contemporâneas e de tempos outros; pessoas populares ou desconhecidas; pessoas comuns, pessoas acolhidas; pessoas educadoras, pessoas guerreiras; comerciantes, militantes, religiosos, compositores, foliões...

Alzira Alves Carneiro _ nasceu em Tanque Novo, em 1949. Formou-se professora primária, em Caetité, pelo Instituto de Educação Anísio Teixeira, em 1971. Lecionou em Tanque Novo, turmas de ensino infantil e de ensino fundamental. Foi secretária escolar do Centro Educacional Cenecista de Tanque Novo. Atuou como diretora dessa instituição nos anos de 1988 e1989. Teve uma grande contribuição no desenvolvimento educacional do município. Faleceu em 1993.

Teotônio Marques da Silva _ nasceu em 1899, em Tanque Novo. Foi forte comerciante; contribuiu para o desenvolvimento da cidade, doando terrenos para a construção da Escola Municipal Teotônio Marques; para a construção do açude, e para a construção da Escola Família Agrícola. Prestou relevantes serviços à educação, exercendo as funções de delegado escolar. Faleceu em 1979.

Padre Aldo Luchetta _ nasceu em 1941, em Codogné Treviso, Itália. Lá, foi ordenado padre e chegou ao Brasil em 1967. Como pároco de Tanque Novo, contribuiu para o crescimento religioso e social, criando várias associações comunitárias. Sua contribuição resultou na construção do primeiro Centro de Saúde, da nova Igreja Matriz, e da Escola Família Agrícola. Faleceu em 1998, num acidente de automóvel.

João Neves de Oliveira _ nasceu em 1941, em Tanque Novo. Logo cedo, percebeu sua vocação pelo comércio, destacando-se como um dos principais empresários da região, e um dos agentes fundamentais para o desenvolvimento do município, através da geração de empregos e de renda. Ingressou-se na política em 1986, como o primeiro prefeito de Tanque Novo.

Justiniano Pereira de Sousa _ nasceu em Igaporã-Ba, em 1931 Chegou a Tanque Novo com três anos de idade, e morou com Raquel Pereira (prima e mãe adotiva). Compositor e intérprete do hino de Tanque Novo. Morreu em 2009.

José Vitorino dos Santos (Zé de Raimunda) _ viveu na antiga comunidade de Piçarrão, em Tanque Novo, nas primeiras décadas de 1900, repentista e “reizeiro”, juntamente com seus filhos introduziu a Folia de Reis, em Tanque Novo.

Juvêncio Carneiro Neto _ nasceu em 1927, em Tanque Novo. Neto de Juvêncio Alves Carneiro (um dos fundadores de Tanque novo) foi prefeito de Botuporã e escrivão do Cartório de Registro Civil, em Tanque Novo.

Raquel Pereira Carneiro _ nasceu em Guanambi, em 1917. Com apenas 16 anos, formou-se em Caetité, e foi nomeada pelo Estado para trabalhar no povoado de Tanque Novo. Participou ativamente dos primeiros progressos de Tanque Novo, como a criação do Posto de Correios e da feira livre. Morou em Tanque Novo durante 75 anos e faleceu em 2008.

Apertados os nós dos retalhos históricos, bordou-se, ao centro, o retalho último: uma grande devoção religiosa, iluminando como um sol _ o “Imaculado Coração de Maria” que derrama sobre Tanque Novo, suas bênçãos.
A conclusão de tal colcha é tarefa infinita. Esse mural foi apenas uma abordagem. Ainda há muitos retalhos a coser... Retalhos esquecidos, retalhos que ainda estão por vir... A busca pela essência da identidade cultural é mais que um sonho: é uma necessidade, é um feto que não pôde ser abortado, em nome de nenhum projeto ideológico que salvaguarde interesses particulares usurpadores da esperança de nossa gente.


Quem é Fábio Magalhães?

Seu nome completo é Antônio Fábio Magalhães Carneiro. Nasceu em Tanque Novo, Bahia, no ano de 1982. Tem como filiação: José Carneiro Magalhães e Clarice Carneiro Magalhães. É bisneto de Juvêncio Alves Carneiro e trineto de Prudenciano Alves Carneiro _ os fundadores de Tanque Novo. Explicação: é bisneto de Juvêncio Alves Carneiro, porque sua avó paterna (Maria da Conceição Carneiro) é filha do segundo casamento de Juvêncio com Ana Bela Carneiro; e trineto de Prudenciano Alves Carneiro, uma vez que, sua bisavó paterna, de codinome Bilinha, era filha de Prudenciano.
Formou-se em Artes Plásticas, pela Universidade Federal da Bahia, em 2007. Já atuava, como artista, muito antes de sua formação. Realizou sua primeira exposição individual em 2008, na Galeria de Arte da Aliança Francesa em Salvador/BA. Entre suas principais exibições de quadros, estão: 60º Salão de Abril em Fortaleza/CE e 63º Salão Paranaense em Curitiba/PR, ambos em 2009 _ esses salões são os mais antigos e tradicionais do país. Além disso, tem as seguintes participações, em seu currículo: XV Salão da Bahia em Salvador/Ba, em 2008; I Bienal do Triângulo em Uberlândia MG no ano de 2007; IX, VIII e VII Bienal do Recôncavo na cidade de São Félix BA, nos anos de 2008, 2006 e 2004; além da presença constante nos Salões Regionais da Bahia, realizados nas cidades de Vitória da Conquista, Itabuna, Feira de Santana e Juazeiro da Bahia. Após um caminho intenso de experimentações com diversas linguagens visuais, a pintura tem ocupado importante espaço em seu pensamento e atitude artística, fazendo valer a liberdade inerente à arte contemporânea; pois, o resultado de seu trabalho concorre para um conjunto de operações capazes de borrar os limites entre a pintura, o desenho e a fotografia.
Recentemente, foi contemplado pelo edital Matilde Mattos, promovido pela Fundação Cultural do Estado da Bahia que, através do fundo de Cultura, conceberá a realização da exposição “O Grande Corpo”.
Sobre o Painel, destacamos o efeito visual colocado na imagem da igreja (pintada de azul). Ao deslocarmos para a direita ou para a esquerda, temos a impressão de mudança de posição da mesma. É um trabalho muito bonito, feito em mosaico. Para nós, leigos, é uma montagem de um verdadeiro “quebra-cabeça”.
Infelizmente, nem todos elogiaram seu trabalho. Alguns criticaram, dizendo que faltaram ancestrais importantes; outros, políticos, ficaram enciumados, porque não tiveram seus rostos estampados no mesmo painel. Tentaram, até, embargar a exposição dessa obra. Contudo, Fábio, num momento de feliz inspiração, disse no seu texto, que foi colocado num folder: “É uma grande colcha de retalhos... a conclusão da mesma é tarefa infinita... ainda há muitos retalhos a coser...”
Como diz o ditado: “Santo de casa não faz milagre!”
Nós só temos que enaltecer esse trabalho e incentivar o grande artista plástico que é Fábio Magalhães. Para nós, tanquenovenses, é uma honra muito grande, tê-lo como conterrâneo; pois, temos certeza, que seu futuro é bastante promissor.
Vejam as mostras que contaram com sua participação:

MOSTRAS COLETIVAS:
2009. “63° Salão do Paraná”. Museu de Arte Contemporânea, Curitiba - PR.
.“60° Salão do Abril”. Galeria Antônio Bandeira, Fortaleza - CE.
.“Circuito das Artes”. Galeria Aliança Francesa, Salvador-BA.
2008. “XV Salão da Bahia”. Museu de Arte Moderna, Salvador-Ba.
.“IX Bienal do Recôncavo”. Centro Cultural Dannemann, São Felix-BA.
.“Salão Regional de Artes Plásticas da Bahia”. Centro Cultural Adonias Filho, Itabuna - BA.
.“Salão Regional de Artes Plásticas da Bahia”. Centro Cultural Camilo de Jesus Lima, Vitória da Conquista - BA.
2007. “Bienal do Triângulo”. SESC/MG, Uberlândia - MG.
.“Salão Regional de Artes Plásticas da Bahia”. Centro Cultural Amélio Amorim, Feira de Santana-BA.
. “Afetos Roubados”. Exposição Itinerante e Processual. Conjunto Cultural da Caixa, Salvador-BA.
.“Salão Regional de Artes Plásticas da Bahia”. Centro Cultural João Gilberto, Juazeiro - BA.
.“INSERÇÔES”. Galeria Cañizares, Salvador-BA.
2006. “VIII Bienal do Recôncavo”. Centro Cultural Dannemann, São Felix-BA.
.“Salão Regional de Artes Plásticas da Bahia”. Centro Cultural Camilo de Jesus Lima, Vitória da Conquista - BA.
.“Afetos Roubados”. Exposição Itinerante e Processual. Museu Théo Brandão, Maceió-AL /Galeria Capibaribe da UFPE, Recife-PE/ Faculdade Santa
Marcelina, São Paulo-SP.
2005. “Salão Regional de Artes Plásticas da Bahia”. Centro Cultural Amélio Amorim, Feira de Santana-BA.
.“Afetos Roubados”. Exposição Itinerante e Processual. ICBA, Salvador-BA.
2004. “VII Bienal do Recôncavo”. Centro Cultural Dannemann, São Felix-BA;
2003. “125 anos de Escola de Belas Artes”. Centro de Memória e Cultura dos Correios Salvador-BA;
2002. “VISÕES”. Casa de Angola, Pelourinho, Salvador-BA.
.“Exposição Verde II”. Biblioteca do Estado da Bahia, Salvador-BA.
.“Projeto Arte Ambiental”. Praia de Armação, Salvador-BA.
.“IV Cartoons e Photos Undercover”. EXPODROOM, Bélgica.
.“III Mostra de Arte e Descritiva”. ARQ-UFBA, Salvador-BA.
2001. “Mais caras”. Casa do Tecelão, Pelourinho, Salvador-BA.

MOSTRAS INDIVIDUAIS:
2008. “Jogos de Significados”. Galeria do Conselho, Salvador-BA. (Aprovado pelo edital “Portas Abertas para as Artes Visuais)
2007. “Linhagens do Acaso”. Galeria Aliança Francesa, Salvador-BA.

OBRAS EM ACERVO:
Casa de Angola, Salvador-BA.
Galeria Aliança Francesa, Salvador-BA.


Identificando as personalidades no painel:


Professora Alzira e Professora Raquel


João Neves (Juca) e Justiniano


Teotônio Marques e Juvêncio Carneiro Neto

Padre Aldo e Zé de Raimunda